55 anos, 55 anos de bilhões de investimento.
Petrobras investe nesse ano volume de recursos superior ao PIB de 107 países e se prepara para o futuro.
O investimento que a Petrobras fará em 2008 não é só maior nos 55 anos da empresa. Os quase R$ 55 bilhões a serem aplicados superam o PIB de 107 países, se elevado em conta os valores do último Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU. A gigantesca quantia será destinada a exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo,além da produção de gás natural e outras fontes de energia.
O tamanho da cifra se deve a uma ousada política de investimento.
Em 4 anos, a empresa, que já atua em 27 países,quase quadruplicou seus investimentos. De US$ 7,74 bilhões em 2004, o dinheiro investido pulou para o equivalente a US$ 30 bilhões neste ano. O crescimento, impulsionado também para descobertas em novas fronteiras exploratórias, como a camada pré-sal, coloca a petroleira em destaque no cenário global. Hoje, a Petrobras é a segunda maior companhia de energia em valor de mercado (R$ 430 bilhões. de acordo com a Bovespa). Esse valor cresceu 87% em relação ao registrado em 2006.
O importante dos novos investimentos não está apenas na quantidade, mas no destino dos recursos.No caso do petróleo, o foco é a exploração em águas profundas e ultraprofundas – do 1,85 milhão de barris de diários produzidos pela empresa no Brasil, 81% já vêm dessas áreas.
O objetivo desses investimentos é manter a Petrobras como grande produtora de petróleo em águas profundas e a detentora da tecnologia mais avançada, já que a expectativa é de que a maior parte das futuras descobertas – no Brasil e no mundo – estejam no fundo do mar .
A posição de destaque nessa área começou ser alcançada em 1969, com a primeira descoberta de petróleo no mar de Sergipe. A decisão de explorar o campo, num momento em que os baixos preços do petróleo desencorajavam empreitadas, foi fundamental para o desenvolvimento da expertise na área . A ação também abriu caminho para descobertas,anos depois, que desembocariam em campos gigantes e na camada pré-sal, nova fronteira tecnológica a ser vencida pela empresa. Para explorar locais cada vez mais difíceis, a Petrobrás dedica parte do investimento anual de R$1,6 bilhão em tecnologia ao desenvolvimento da extração em águas profundas.
POR MAR E TERRA A exploração marítima garantiu que o Brasil atingisse a auto-suficiência em volume de extração em 2006 e a mantivesse. Em 2008, de 1,85 milhão de barris de petróleo produzindo pela empresa diariamente no país, 91% vem do mar. Novas descobertas, já avaliadas e em fase de desenvolvimento, permitirão elevar a produção brasileira anualmente, chegando a media diária de 2,42 milhões de barris em 2012, para um consumo previsto de 2,17 milhões. Isso significa que a extração de petróleo deve continuar crescendo acima da demanda nacional. Para sustentar esse aumento, cinco plataformas vão atingir a capacidade máxima de produção neste ano. São elas: FPSO Cidade do Rio de Janeiro, FPSO Piranema, FPSO Cidade de Vitória, P-52 e P-54 (as duas últimas no campo do roncador). Além do FPSO Cidade de Rio das Ostras, que entrou em operação em março, outras quatro plataformas começarão a produzir até o fim de 2008, garantindo aumento ainda maior na oferta.
No total, R$ 4,15 bilhões serão destinados em 2008 só à construção de plataformas.
A extração de petróleo e gás, no entanto, responde apenas por parte dos investimentos. Outra área que recebe atenção especial neste ano é o refino. Todas as 11 refinarias da empresa no Brasil estão sendo ampliadas e reformadas para melhorar a qualidade da gasolina e do diesel e para aumentar de 80% para 90% a participação de petróleo nacional no combustível processado. Além disso, depois de 20 anos sem construir uma nova refinaria, começaram em 2008 as obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a elaboração de projetos para implantação de duas refinarias Premium – uma no Maranhão com capacidade para processar 600mil barris diários e outra no Ceará para processar 300 mil barris/dia – com investimento total de US$ 30 bilhões.
Outro projeto estratégico é o Plano de Antecipação da Produção de Gás (Plangás), que pretende elevar a produção do gás nacional no Sul e no Sudeste e assegurar o abastecimento do mercado de gás natural, especialmente o térmico. Até o final de 2010, o Plangás deve aumentar a oferta nacional na região para 55 milhões de metros cúbicos de gás. Por sua vez, o Plano de Negócios da companhia prevê que até o fim de 2010 sua malha de transporte de gás será ampliada para 9.228 Km de extensão, permitindo que o produto seja distribuído de Norte a Sul do País.
BIOCOMBUSTÍVEIS A participação no crescente mercado de bicombustíveis também faz parte do plano estratégico da empresa, que envolve investimentos totais de US$ 112,4 bilhões até 2012. Todas as refinarias no Brasil estão sendo preparadas para refinar segundo o HBIO, novo processo que possibilita a inclusão de óleo vegetal no diesel, resultando em um produto de alta qualidade e pureza. Além disso, a Petrobras pretende produzir 938 milhões de litros de biodiesel em 2012. Para tanto, está construindo três usinas para processar o combustível (em Minas Gerais, Bahia e Ceará) que vão iniciar produção ainda em 2008, e implantará outras em diversos pontos do país.
A empresa se prepara para atuar globalmente na venda de bicombustíveis, liderando a produção nacional de biodiesel e ampliando a participação em etanol. Nesse contexto, faz parceria com os sócios privados Mitsui, do Japão e Camargo Correa para a realização de projetos do Alcoolduto, que será construído entre Senador Canedo (GO) e Paulínia (SP). A obra é parte do Corredor de Exportação de Etanol que começa em Goiás, passa por Minas Gerais e vai até São Paulo. Quando concluído, o corredor poderá escoar até 12 bilhões de litros de etanol por ano destinado à exportação. O objetivo é chegar a 2012 exportando 4,750 bilhões de litros de álcool anualmente para as Américas (do Sul e do Norte), Europa, África e Ásia.
A proteção é nossa Preços elevados do petróleo vieram para ficar, mas o Brasil com produção em alta, está mais blindado.
Cravar quanto custará o petróleo daqui a um mês, um semestre ou um ano é arriscar-se em exercício de futurologia. Mas é possível ter duas certezas: a cotação deverá permanecer elevada, e Brasil estará bastante protegido contra ela, avalia Eli Abadia, engenheiro de processamento, consultor sênior e professor da universidade Petrobrás, a 38 anos na empresa, considerado um dos grandes conhecedores de geopolítica do petróleo no pais.
Abade avalia que fazer prognósticos neste moimento especialmente difícil em razão das incertezas envolvendo os EUA, que são a maior economia dos maiores consumidores de petróleo do planeta. “No momento em que o barril de petróleo atinge o patamar de US$ 140,00 a uma contra força enorme: a recessão econômica”, observa. Uma crise diminuiria o consumo e, portanto, os preços – a cotação cairia naturalmente para menos US$ 100,00, estima. A economia dos EUA é altamente dependente do petróleo, e seu consumo exageradamente alto devido, sobretudo, à carga tributária incidente sobre os derivados. Essa tributação deveria ser elevada como forma de inibir o consumo, defende Abade.
Se for considerada a cotação atual do barril, o dispêndio Americano com importação de petróleo e derivados, devido a seus déficits de produção e de refino, é da ordem de US$ 800 bilhões por ano – uma sangria financeira para qualquer nação. “Entretanto nenhum partido quer pagar o preço político de interromper o american way of life”, afirma o engenheiro. O estilo de vida americano tem sido em parte sustentado pelos baixos tributos sobre os derivados – ao contrário do que ocorre em outros países ricos, como Japão e nações da Europa. “Este tipo de política é privilégio de países com enormes reservas e grandes receitas petrolíferas, como os do oriente médio e a Venezuela”. Os americanos já foram alto suficientes, mas isso foi a mais de 60 anos, destaca.
A, porem, outras forças que fissionam a cotação do barril para cima. Uma delas é a crescente desvalorização do dólar, moeda de referência na compra do petróleo. Um segundo fator, de caráter estrutural, é que a capacidade mundial de refino é menor que a de produção, o que eleva o preço dos derivados e, por tabela, o preço do petróleo.
Uma terceira força é a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), grupo que reúne 13 dos maiores produtores da commodity, fortemente influenciado pelos países do Golfo pérsico, e que “controla a oferta de petróleo de acordo com suas conveniências”, diz Abade. A atuação da OPEP como reguladora, faz o especialista acreditar que o preço do barril, mesmo no caso de uma crise econômica mundial, não fique abaixo de US$ 70,00.
Situação confortável. Mesmo se a OPEP resolver atarraxar sua torneiras e a desaceleração da economia America for amaena, sustentando os preços do petróleo em alatos patamares, a possibilidade do Brasil sofrer forte impacto da escalada dos preços.
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